Terça-feira, 9 de Março de 2010
PARABÉNS JOSÉ MANUEL OSÓRIO

 

Depois de muito se ter escrito sobre o filme Fados, de Carlos Saura, a propósito do Fado Menor em Versiculo, que, deram origem às mais variadas opiniões, foi, com alguma surpresa que se ouviu no Museu do Fado, o conhecido investigador e historiador do fado, José Manuel Osório, por ocasião do lançamento da colecção " OS FADOS DA ALVORADA", afirmar, que não considerava o filme como um bom filme, e dizer também, que o versiculo pertencia a Alfredo Marceneiro.

 

É evidente, que é apenas uma opinião, mas, de uma pessoa com alguma autoridade, conhecedora e respeitada nos meios fadistas, mas, não deixa de ser um "acto de coragem", fazer tais afirmações no Museu do Fado...

 

Seria interessante, e no interesse do "estudo" do Fado, que outras pessoas, como, fadistas, tocadores ( guitarras e violas ), historiadores e investigadores, manifestassem as suas opiniões, com absoluta imparcialidade, sem receio de ferirem susceptibilidades, porque o Fado muito teria a ganhar com o esclarecimento deste assunto.

 

Entretanto, parabéns à " coragem" de José Manuel Osório.

 

Saudações fadistas

 

Zé da Viela

 



publicado por Zé da Viela às 14:34
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
AMÁLIA RODRIGUES

Só a grandeza da Grande Senhora, poderia dar azo às grandes manifestações de saudade e carinho, por ocasião do 10º aniversário do seu desaparecimento.

Não tenho ideia, de manifestações de tanta saudade, como as que Amália continua a despertar, nos corações de todos nós, os que gostamos dela, os que sempre a admirámos e seguimos o seu trajecto e a sua carreira.

Variadíssimos espectáculos, colóquios e programas de televisão, lembraram a data, recordando a vida da DIVA, desde o seu começo, ao seu desaparecimento, e, tenho que confessar, que nunca se sabe tudo ( pelo menos eu, não sei ), acerca de Amália, apesar de ser seu grande admirador, e coleccionador de tudo o que a ela se refere.

Como seu grande admirador, aceito que também a sua vida pessoal me desperta curiosidade, tentando, sempre que possível confirmar boatos e noticias, pelo que, em tudo o que vi e ouvi, foram abordados dois pormenores que eu desconhecia.

O primeiro, refere-se às menos boas relações que teria com Carlos do Carmo, assunto sempre muito comentado, mas sempre sem explicação convincente, pelo que nestas comemorações, ouvi da boca do próprio, que teriam tido uma divergência de ideias, num almoço ou jantar, num Consulado, ou Embaixada portuguesa no Canadá, onde, apesar das discordâncias, teriam acabado a dançar....tendo sido essa a ultima vez que estiveram juntos... É evidente, que esta é a versão de Carlos do Carmo, porque, não é conhecida nenhuma tomada de posição de Amália sobre este assunto, embora as declarações do fadista nos possam levar a dizer que as relações entre eles não seriam as melhores, porque, vivendo os dois na nossa linda cidade, não é normal que a ultima vez que tenham estado juntos tenha sido no Canadá...

O segundo, refere-se a um poema que Amália teria escrito, e que pediu a João Braga que o lesse, quando ela morresse, facto que agora vi relatado num canal de televisão, que transmitiu também a leitura do poema. Este facto, era do meu desconhecimento, embora, uma pessoa da inteira confiança de Amália me tenha afirmado, que esse poema não estava destinado exclusivamente a ser lido apenas depois da sua morte, porque, ao que me foi afirmado, Amália tê-lo-ia chegado a cantar. É um pormenor a esclarecer, porque, quem "estuda" Amália Rodrigues não pode ficar com duvidas, nem mesmo nos mais pequenos pormenores.

Dos vários espectáculos que assinalaram a data, na impossibilidade de me referir a todos, destaco o do S.Luiz, que tentava "refazer" um serão em casa de Amália, da autoria, ao que creio do sempre inspirado Helder Moutinho, que se traduziu, num espectáculo agradável de seguir, e que honrou o nome da Grande Senhora, que contou com a presença da sua irmã Celeste Rodrigues, de João Ferreira Rosa, que não consegue disfarçar a grande admiração, simpatia e carinho que tem pela Grande Artista, e por dois grandes músicos que a acompanharam durante muitos anos, como foram Fontes Rocha e Joel Pina, para me referir aos que maior intimidade tiveram com Amália, sem esquecer a valiosa contribuição, para o êxito do agradável "serão", da sempre bonita e simpática Joana Amendoeira, bem acompanhada pelos seus músicos, Pedro Amendoeira e Pedro Pinhal. De lembrar também, a boa prestação dos " espontâneos" que subiram ao palco, assim como a assistência constituída em grande parte por "amalianos" bem conhecidos, como por exemplo, Mercês Cunha Rego.

Destas comemorações, podemos concluir, que Amália não morreu, Amália nunca morrerá.

Zé da Viela

 

 

 

 



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Quinta-feira, 23 de Julho de 2009
FADO NA POLITICA, OU POLITICA NO FADO ?

 

 

Diz-se com frequência, que o Fado está na moda, e, na realidade, assim parece, tal a intensa actividade que alguns fadistas vêm desenvolvendo, com espectáculos por todo o País, e alguns com digressões pelo estrangeiro. Não me lembro de se falar tanto no fado, de ver tantos espectáculos anunciados, tantos lançamentos de CD,s, e de se fazerem tantas entrevistas a interpretes do fado.
Também não me lembrava de ver fadistas "ligados" à politica, como mandatários de candidaturas, como foi o caso de Katia Guerreiro,(mandatária do Presidente da Republica ), e, agora de Carlos do Carmo,(mandatário do Presidente da Câmara), ocorrendo-me perguntar, quem sai a ganhar, se são os fadistas com os políticos, ou são os políticos com os fadistas.
O reconhecimento por parte dos políticos, que os fadistas poderão trazer valor para as suas campanhas, creio que virá em beneficio do Fado, uma vez que, se acredita, que o Fado através dos seus interpretes, poderá atrair o que os políticos mais desejam, que são os eleitores, embora seja desejável, que, os políticos em troca, possam depois "proteger" o Fado, de um modo geral, e não apenas dois ou três fadistas.... Entendido ?
Será, que, por exemplo, as casas de fado, poderão vir a beneficiar de algum estatuto especial, que lhes permita praticar preços mais acessíveis, para que os amantes do Fado as possam frequentar ?
E não vamos esquecer que Pedro Santana Lopes já afirmou que pretendia fazer de Lisboa, a Capital do Fado, pelo que, creio, que também merecerá o apoio de toda a comunidade fadista.
Vamos ver o que isto dá....
Saudações fadistas
Zé da Viela

 



publicado por Zé da Viela às 14:54
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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
FADO NO CASTELO S.JORGE

 

 

 

Tenho assistido a bons espectáculos, que no mês de Junho se realizam no Castelo S.Jorge, mas tenho que confessar, que não gostei do ultimo a que assisti, que teve a participação da artista espanhola, Maria Berasarte.

No que se refere aos artistas portugueses, nada de novo a registar, uma vez que, tanto os fadistas, como os músicos,são sobejamente conhecidos, distinguindo-se no entanto a guitarra de Mário Pacheco. Quanto aos fadistas, não nos deram nada que não conhecessemos, embora me pareça que Rodrigo Costa Félix,pudesse ter sido um pouco mais fadista... porque ele até canta bem o fado.

Quanto à artista espanhola, queremos acreditar, que o convite de Carlos do Carmo para cantar na festa dos seus 45 anos de carreira, a tenha "baralhado", porque não me parece, que possa conquistar mercado, quer em Portugal, quer em Espanha, e, nesta indefinição, talvez fique uma boa voz pelo caminho...porque penso que o que ela canta, não nos agrada nem a nós, nem aos espanhóis. O CD já está à venda, e não acredito que tenha sucesso.

O facto de agradar a Carlos do Carmo, que até a convidou para vir à festa dos seus 45 anos de carreira, não é sinónimo de sucesso, até porque a evolução que Carlos do Carmo apregoa para o fado, não "quadra" bem, com o que, o público, que sabe e gosta de fado, pretende.

Se nós, portugueses, (e não só os puristas ),já não vemos com bons olhos, o fado metido na Sinfonieta, ou ao contrário, a Sinfonieta metida no fado, quero crer, que, muito menos aceitaremos, o nosso fado,ser acompanhado com acordeão, percussão e guitarra espanhola... E a "pobre" da espanhola Maria Berasarte, meteu-se nesta "embrulhada", ( ou meteram-na...), que não vai agradar, nem a nós nem aos espanhóis,porque caros amigos, cantar fado sem a emoção e o sentimento que a liingua portuguesa permite, não sabe a nada... é que não tem qualquer sabor...e ainda por cima com acordeão...

Um pormenor que não será de desprezar, é a presença em palco da artista espanhola, cujos movimentos do corpo, e sobretudo dos braços e mãos,"cheiram" mais a flamenco, do que a fado... enfim, na minha modesta opinião, de fado, não há nada.

Não haverá uma só pessoa, que diga à espanhola que a estão a "enganar", e que a opinião de Carlos do Carmo. é apenas uma opinião,com a agravante de ter pouco peso no meio fadista ? Quem puder que lhe faça esse favor !

Quero, acreditar que o CD tenha sido edição da autora,porque, com tanta dificuldade que há, para gravar em Portugal,não penso que alguma editora se tenha metido nesta aventura... cantar fado em Portugal, em idioma espanhol, com acordeão e percussão ?

E a provar o que digo, nós portugueses, sabemos de fado e sentimo-lo, a pouca afluência de público ao Castelo,com uma plateia com alguns lugares vazios, e sendo grande parte dos espectadores, estrangeiros, certamente levados pelas agências de viagem, com o argumento da linda vista sobre Lisboa que o Castelo proporciona.

Não foi boa propaganda para o Fado.

Haja bom senso

Saudações fadistas

Zé da Viela



publicado por Zé da Viela às 15:17
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Segunda-feira, 11 de Maio de 2009
IV GALA AMÁLIA

 

 

 

Teve lugar a IV Gala Amália, iniciativa que é de louvar, porque tudo o que seja feito, para recordar a Grande Senhora, merece o apoio dos muitos admiradores da grande artista. Portanto, Gala Amália sempre, melhor ou pior, mas que não deixe de se efectuar.

Este ano, teve como palco o Campo Pequeno, lugar de prestigio, que não encheu ( longe disso ), o que na minha opinião justifica uma critica, porque com o preço dos bilhetes mais acessivel, teriamos tido concerteza as bancadas cheias com os admiradores de Amália.

Onde está o povo que a adora ?  Por onde anda o povo que esteve no seu funeral, e que ainda hoje a vai visitar ao Panteão ? Fazer da Gala Amália um espectáculo elitista, parece-me um erro, porque Amália é de todos, mas sobretudo do povo, do povo humilde, que ela nunca renegou.

O elitismo da Gala, não seria concerteza do agrado de Amália, porque cheira pouco a fado, o que se torna por demais evidente, porque lamentavelmente a "gente" do fado, não vai à Gala, sem que consigamos entender a razão de tal ausência. Porque não vão os fadistas, e, os músicos de fado, e não só, que a acompanharam durante tantos anos, recordá-la, bem como recordar os momentos que com ela viveram ?  É que, nem sequer a familia ( pelo menos, irmã e sobrinhos ), nem os premiados em Galas anteriores comparecem, o que me parece lamentável !

Haverá que encontrar as razões, embora em minha opinião, uma delas possa residir no facto do Juri dos Prémios Amália, não englobar uma só pessoa, que seja genuinamente fadista.  Qual o passado fadista, e que conhecimento de fado, terão os membros do júri, para poderem atribuir os prémios com alguma justiça ?  Parece-me, que apenas Rui Vieira Nery e Nuno Lopes, poderão, porque acompanham o fado, e o estudam, ser vozes autorizadas a poderem escolher os premiados com algum conhecimento e isenção, mas os outros... quem os vê, ou os conhece no fado ...?

A comunidade fadista, não é apreciadora do elitismo, e não vê com bons olhos os "doutores" no seu meio, sobretudo aqueles que ninguém conhece no ambiente do fado, porque atrás do tal elitismo, vêm os privilégios, que nos levam a ver uma plateia em grande parte composta por convites, e repleta de pessoas, que devem ir ao fado uma vez por ano, precisamente na Gala Amália... esquecendo-se aqueles que andaram toda a vida a fazer algo pelo fado, cantando-o e tocando-o.  Os fadistas não são apreciadores deste comportamento, e, depois não vão, não comparecem.

Porque "carga de água" os administradores da Fundação Amália, que ninguém conhece no ambiente do fado, hão-de fazer parte do júri ?  Será que ser administrador lhes confere o direito de escolherem, quem canta, quem toca e quem escreve sobre fado ?  Não me parece correcta esta opção, e estou convencido, que, em galas futuras, os administradores deixarão de fazer parte do júri, podendo sim "discutir" com o júri, a justiça dos nomes premiados, pedindo-lhes justificações, para poderem evitar galardoados à "pressão", que poderão ofender a "comunidade" fadista.

Assim o esperamos, para que possamos ver em futuras Galas, as salas cheias, com cantadores e tocadores, e com todos os admiradores da Grande Amália.

Quanto ao espectáculo em si, confesso que me agradou, sem me ter deslumbrado, embora, como já referi, tivesse pouco fado, o que numa festa para recordar a Grande Amália, me parece ser pormenor a referir.

Vimos Alexandra, cantar como sempre a conhecemos, e recordou Amália.

Joana Amendoeira, ( que cara bonita, e que simpatia ), deu espectáculo com os Mar Ensemble, que foi agradável de ver, mas com pouco fado.

Sandra Barata Belo, pela sua interpretação no filme Amália, declamou dois poemas, bem acompanhada à guitarra por Mário Pacheco.

Cristina Nobrega, pouco conhecida, porque, creio cantar apenas para os amigos e nas festas de uma empresa de telecomunicações, embora com uma voz bonita e agradável, tem ainda um longo percurso a percorrer.

E, de fado, na ausência de Aldina Duarte e José Manuel Neto, tivémos D.Vicente da Camara e Ricardo Ribeiro, para além de Alexandra, o que foi muito pouco, para uma Gala que se queria fadista...

Por fim, e, aqui sim, a Administração da Fundação, depois de na III Gala, realizada o ano passado, no Centro Cultural Olga Cadaval, ter anunciado a atribuição do estatuto de utilidade pública à Fundação Amália, deverá concentrar os seus esforços, no sentido de se esclarecer e cumprir o legado de Amália, dando assim cumprimento ao estabelecido pela Grande Senhora. Os problemas, que são do dominio público, como a viatura e a casa no Alentejo, que se dizia estarem abandonados, as jóias, a participação à Casa do Artista, etc, etc, estarão certamente a ser resolvidos.

Assim o esperamos, todos os que respeitamos a memória de Amália.

 

AMÁLIA,SEMPRE.

 

Zé da Viela

 



publicado por Zé da Viela às 15:57
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Segunda-feira, 23 de Março de 2009
ANA MOURA, VOLTOU

 

 

Como esperávamos, no nosso comentário que abordou um problema de saúde da Ana Moura, ela voltou, e já fez alguns espectáculos, o que nos diz, que o problema de saúde que a afastou do seu público, foi felizmente ultrapassado.

 

Deste modo, e, como também tínhamos referido, ela irá prosseguir a sua carreira, para alegria de todos, os que a admiram e gostam de a ouvir.

 

Foram os búzios...que mexeram no destino....

 

Felicidades, Ana.

 

Zé da Viela



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Segunda-feira, 2 de Março de 2009
FORÇA, ANA MOURA

 

 

Pela grande admiração, que tenho por esta artista, já neste blogue lhe dediquei um comentário, que volto hoje a fazer, embora, desta vez, por motivos menos agradáveis, uma vez que, me chegou a noticia, que a minha amiga Ana Moura,considero-a amiga, mesmo sem a conhecer pessoalmente, tal a admiração, que tenho pela mulher e pela fadista, se encontra com ligeiros problemas de saude.

Creio, que foi Miguel Esteves Cardoso, que, sobre ela escreveu:

               Não é o Povo - é do Povo

               Não é de Lisboa - é Lisboa

               Não é Fadista - é o Fado

 

Minha cara Ana Moura, o Povo, Lisboa e o Fado desejam-lhe um rápido restabelecimento, porque todos já temos saudades, palavra tão portuguesa, e, tão "ligada" ao Fado, de a ver ao vivo, nos palcos, ( Olga Cadaval, Coliseu, etc ), e, de para além de apreciar a sua gentil e bonita figura, ouvi-la cantar, com a sua humildade, quase pedindo desculpa, por o fazer tão bem, sobretudo, o nosso Fado, e, sem nunca ter tido a tentação de o descaractrizar.

 

Da, Ana, não deixo de recordar a sua linda e cativante voz, através da qual, nos passa as mensagens que queremos e gostamos de ouvir, a força da sua comunicação, o seu talento, e a sua humildade, que, conjugada com os outros factores, fizeram dela,  rapidamente, uma primeira figura do Fado.

Longe de seguir estilos "emprestados" ou "copiados", Ana Moura, com a sua maneira própria de cantar, "acordou", os que gostam de fado, não deixou ninguém indiferente, e, logo recebeu o apoio e a admiração do público, não só, pela sua voz, repito, mas, também pelo seu encanto tão especial, porque, ela tem aquela forma humilde, mas também mágica, dos grandes artistas, que, chegam a todos os publicos, sem vedetismos ou vaidades.

Tão grande, é a sua simplicidade, que, é das poucas grandes vozes do Fado, que continua a gostar de actuar e de conviver com colegas, nas casas tipicas, afinal onde ela foi descoberta, (sempre, ou quase sempre, José Luis Gordo e Maria da Fé ! ). Não "renega" a sua origem, hoje , que é um dos grandes nomes do Fado, ao contrário, de algumas "vedetas", que, tendo feito a "recruta", tal como ela, nas casas de fado, hoje acham despristigiante ali cantar.

Hoje, porém, pretendo mais dirigir-me à Ana Moura, mulher, do que à artista, e, dizer-lhe, melhor, pedir-lhe, que se ponha boa ( como o povo gosta de dizer ), porque temos saudades suas, e queremos vê-la, porque só ouvi-la, nos seus CDs, não é suficiente.

 

Cara Ana, quem me dera poder mexer no destino e mudar-lhe a sorte.... mas com pena minha não posso...

Acredito, que à espreita, está um grande futuro, aberto a todos os que gostamos de a ouvir e de a ver, e, que gostam de si, como eu, embora sem a conhecer pessoalmente.

Permita-me, "enviar-lhe" um beijinho, com muita ternura, e, com os meus votos de rápidas melhoras.

Felicidades

Até breve.

Zé da Viela



publicado por Zé da Viela às 19:59
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008
ESTREIA DO FILME AMÁLIA

Todos gostamos de ter razão, no que afirmamos, e todos gostamos de verificar que as previsões e análises que fazemos, se concretizaram, o que, nem sempre acontece, pelo que, quando não acertamos, haverá que reconhecê-lo, e dar a mão à palmatória, como se costuma dizer.  O que se escreve, exprimindo uma opinião, representa apenas a óptica de apreciação de quem escreve, o que leva de certeza, a que nem toda a gente esteja de acordo, podendo provocar uma "discussão", ou uma troca de ideias, no sentido de se chegar a uma conclusão, o que também, infelizmente, nem sempre acontece, o que se constata até por este blog, onde apesar de saber, que nem todos os que o visitam estão de acordo com o que aqui se escreve, também não provocam a "discussão" saudável, que seria desejável.

Vem, isto a propósito, de um comentário aqui publicado em 29 de Abril, com o titulo Prémio Goya - Ponto Final, onde escrevia, que a novela do Goya, poderia, acabar com a oferta da estatueta ao Museu do Fado, o que veio na realidade a acontecer, pelo que,é agradável a sensação de termos acertado no vaticinio que fizémos. Acertámos !

No entanto, também, num comentário aqui publicado em 16 de Junho com o titulo Filme Amália, desejámos sair da estreia do filme a cantar o "Que Deus me Perdõe" e a "Rosa Branca ao Peito", e infelizmente, na nossa modesta opinião, apenas podemos trautear o "Que Deus me Perdõe", porque, não se conseguiu fazer um bom filme, com a história bonita da vida de Amália. Falhámos !

Do mesmo modo, que em relação ao filme "Fados", de Carlos Saura, não abordámos, por falta de conhecimentos, a técnica cinematográfica, o mesmo acontece, em relação ao filme "Amália", pelo que, apenas, nos referiremos à história em si, ou seja ao argumento do filme.

Parece-nos, que o filme destaca em excesso, os aspectos menos bons da vida da Grande Senhora, ( não digo que a maior parte não sejam veridicos), como por exemplo, o funeral da sua irmã,( porquê e para quê,  o "carregar" daquela cena? ), a sua tendência para o suicidio, os seus amores com Eduardo Ricciardi e  Ricardo Espirito Santo,  e o" falhanço " aos 18 anos, numa festa privada em Paris, onde Amália não conseguiu cantar, ( este ultimo aspecto o que nos deixa duvidas, uma vez que apenas conheciamos a ideia de que teria saido pela primeira vez de Portugal, em 1943, para Madrid, a convite do Embaixador de Portugal ), ficando, em nossa opinião, em plano secundário, ou menos destacados, os grandes e inolvidáveis momentos da grandiosa carreira de Amália, considerada, a par de Edith Piaff e Maria Callas, uma das três grandes vozes femininas do século XX.

Fazer um filme sobre Amália, a sua vida, e a sua carreira, exige um grande trabalho de pesquisa, e, exigia que se consultassem, familiares, amigos e artistas, sobretudo músicos, que com ela conviveram, no sentido de se respeitarem cronologias, e confirmar-se a verdade dos acontecimentos que o filme retrata, o que nos parece que não tenha sido conseguido, uma vez que a própria familia de Amália, não terá concordado com o argumento, levando até o assunto aos tribunais.

Quer dizer, em vez de se aproveitar o facto de a sua irmã  D. Celeste Rodrigues, estar ainda entre nós, ( e esperemos que esteja por muitos e longos anos ), que com ela tanto conviveu, e que é longamente retratada no filme, não só, para "fornecer" elementos importantes, como para confirmar os que são conhecidos, através do muito que se tem escrito sobre Amália, entra-se em "guerra" , e, vamos para os tribunais...

E, porque é que a familia foi para o tribunal ? Não sei, e, gostava de saber, porque não acredito que tenha sido apenas, pela cena de tentativa de suicidio em Nova York, uma vez que essa terá sido verdadeira, tendo até sido abordada publicamente, ainda em vida da Grande Amália, que atribuiu às cassetes de Fred Astaire a desistência do seu intento.

O que ficou quanto a nós, em plano menos destacado ou em plano secundário, e que nos parece, que deveria ter sido objecto de mais atenção ?

    Onde está retratada a Grande Amália do teatro, onde se estreou, ao que creio em 1940, portanto, com 20 anos de idade, e onde criou grandes êxitos, como o Fado do Ciume ?  É que Amália, chegou a ter a sua própria Companhia, de opereta e revista, tendo obtido grande êxito no Brasil, onde também terá estreado o grande êxito que foi Ai Mouraria . E esquecemos que ela fez em teatro a protagonista de A Severa ?

      Onde está retratada a Grande Amália do Cinema, arte que foi importantissima na sua carreira, porque, poderemos admitir, que foi o Cinema que a projectou para o Mundo, que a deu a conhecer, e que fez depois nascer o desejo de a ver actuar ao vivo ? A Amália de "Capas Negras", o seu primeiro filme, onde cantou o sempre apreciado "Nao sei porque te foste embora" ? E a Amália de  " História de uma Cantadeira " ? E esquecemos que Amália recebeu em 1947 o Prémio de Melhor Actriz de Cinema ?

Este filme sobre Amália Rodrigues, é para os portugueses, para o Mundo, e muito para todos os seus admiradores. e amantes do Fado, pelo que é de esperar, que os estudiosos da vida e da carreira de Amália se interroguem, e tentem esclarecer aspectos que se possam apresentar duvidosos.

A que propósito, Francisco Cruz, seu primeiro marido, é apresentado como violista, quando tudo parece indicar que seria guitarrista ?

Não teria sido interessante, mostrar também que Amália terá sido, a primeira mulher a cantar de preto, portanto a trazer o preto para o Fado ?

Não me recordo de ver no filme a Amália que encantou o Mundo, e internacionalizou o Fado, a ser acompanhada pelos seus musicos, nos maiores palcos mundiais,vestidos de smoking e a tocarem de pé. E, felizmente, muitos dos seus musicos ainda estão entre nós. porque ainda há pouco tempo estiveram num espectáculo no Campo Pequeno, os que a acompanharam no Olympia de Paris.

Amália é o Fado, e como tal, tudo o que se fizer sobre ela terá que ser muito bem feito  com muito cuidado,e muito rigor,  porque ficará na história do Fado. Portanto, para mim, vão pensando noutro filme, porque este não retrata a Grande Senhora do Fado. E, ela merece ser bem retratada.

A terminar, resta-me acrescentar que a grandeza de Amália, a curiosidade que desperta, e a grande comunhão que sempre houve entre ela e o público, já levou a ver a sua história, algo mal contada, em pouco mais de um mês, 100.000 espectadores !

Ah, já me esquecia, vou perguntar à D. Celeste Rodrigues o que faz uma senhora deitada no fundo da cama de Amália. Qual o objectivo daquela cena ?

Caros amigos, se assim o entenderem, espero receber os vossos comentários.

Um Bom Ano Novo para todos

Saudações fadistas

Zé da Viela

      



publicado por Zé da Viela às 23:27
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008
TERTULIA DE FADO

Quero começar por dizer, que, não tenho nada contra Carlos do Carmo, embora também deva dizer, que gosto muito mais de o ouvir cantar, do que de o ouvir falar.

Isto vem a propósito do DVD, que acompanha o DVD do filme Fados, com uma tertulia de fado, realizada numa conhecida casa de fados, pertença do conhecido e simpático guitarrista, que é Pedro de Castro.

Não posso também deixar de referir, que como amante e apreciador de fado, julgo ter o direito de exprimir a minha opinião, desde que, como aliás, imponho a mim mesmo, não entre no campo da ofensa pessoal. Para isso, acompanho e frequento o fado, quase diariamente, e sai-me do bolso o gostar muito de fado, não só com a frequência dos meios fadistas e presenças em espectáculos, como também, com a aquisição de CD e DVD.

É evidente, que as despretenciosas análises que venho fazendo neste blog, não agradarão a toda a gente, uns concordarão e outros não, como é normal, mas, creio que em muitos aspectos, não andarão longe de merecer uma larga concordância.

A tertulia, é agradavel de seguir, com boas interpretações, todas elas, quer de Mariza, Carminho, Carlos do Carmo e Ricardo Ribeiro, bem acompanhadas por Pedro de Castro e Diogo Clemente, pelo que, no aspecto artistico, nada haverá a criticar.

Mas, chegamos ao Goya...e, aqui é que já não posso concordar com o que se diz no DVD, e, embora, seja um assunto já muito "batido",Carlos do Carmo, com a sua vaidade, perfeitamente evidenciada no DVD, em que se sente muito bem, no meio de gente mais jovem, que acha "piada" a tudo o que o "Mestre" diz, continua, a não querer dar o braço a torcer, e continua, a meter os pés pelas mãos, dizendo esperar, com o que disse,ter esclarecido o assunto, o que, quanto a mim, não aconteceu, antes o deixou ainda mais baralhado...

Eu creio não dizer nada de novo às pessoas que estiveram na tertulia, que o facto de se gostar e de se apreciar uma pessoa, seja pelos seus dotes artisticos, seja pelos seus dotes culturais, ( e para mim Carlos do Carmo é um artista consagrado e um homem informado e com alguma cultura), não torna obrigatório, estar sempre de acordo com ele, pode-se, e deve-se, discordar, se houver motivo para tal, defendendo ideias próprias. E, neste aspecto, registo uma excepção, na pessoa do Ricardo Ribeiro, que, sobre o fado menor e fado menor com versiculo, "tentou" discordar da opinião do "Mestre", de maneira velada e elegante,creio eu, dizendo-lhe nas entrelinhas que não estava de acordo com ele. Ricardo Ribeiro, mostrou mais uma vez, que além de grande interprete, e de grande conhecedor de fado, é também um grande senhor, numa idade ainda jovem. E, julgo perceber, porque não foi mais longe...estava numa tertulia que estava a ser gravada..., e não quiz ser deselegante.

Mas, voltemos ao Goya. Diz-se, porque não pedimos ao Saura que faça com o Fado o mesmo que fez com o Flamenco ? Mas no filme Flamenco, não aparecem, nem brasileiros, nem mexicanos,nem raps, nem oriundos da Guiné Espanhola etc. Então porque se compara o filme Fados com o filme Flamenco ?

Diz-se também, que Saura é que decidiu tudo no filme, e que ninguém pense que a presença de Lucilia do Carmo no filme se deveu ao facto de ser mãe de Carlos do Carmo!!! Esta é de bradar aos céus !!! É que, nem as pessoas que estavam na tertulia acreditam nisto, embora, não queiram, porque são muito jovens, faltar ao respeito ao "Mestre", um senhor, já de certa idade... E, se Carlos Saura, com os seus grandes conhecimentos de fado não se tivesse lembrado da D. Lucilia do Carmo, e se tivesse lembrado da D. Herminia Silva ?

Como é possivel, que Carlos do Carmo sendo um homem de cultura e informado, apareça com estas "tiradas" ? Na tertulia, ele podia dizer o que quizesse, que ninguém o iria contrariar, isso ele já sabia, mas ele tem que pensar que o DVD vai ser visto por muita gente que não tem a mesma "subserviência" das pessoas que estavam com ele na tertulia. Carlos do Carmo, não pode, e com a sua formação, não deve, ser tão egocentrista, pensando que ele fala, e o País acredita...  São estas suas reacções, que, fazem depois, que ele mesmo considere que há muita gente que não gosta dele, embora Mariza, diga logo de seguida, em apoio e conforto, que tal acontece, só por causa do seu charme !!!

Não deixa de ser curioso que Mariza afirme, que gosta de estar no filme, porque Saura não a obrigou a cantar fado tradicional, e que tem uma forma de estar e de ver o fado, que é muito própria... Mas isso já nós sabemos, portanto, como artista, não estranhe que quem gosta de fado a critique !

Por fim, e no que se refere ao fado menor e fado menor com versiculo. Carlos do Carmo, rotula alguns de talibans, os que pretendiam ganhar algum dinheiro,( nos quais não me incluo, porque não sou parte interessada), e, PASME-SE, de analfabetos  todos os que falam e escrevem sobre o assunto. Quer dizer, quem não estiver de acordo com Carlos do Carmo, e é muita gente, incluindo grandes nomes do fado, interpretes e musicos, é analfabeto !

Estou certo que o próprio Carlos do Carmo quando reflectir sobre esta afirmação, se arrependerá de a ter feito, porque classificar uns de talibans e outros de analfabetos e depois fazer afirmações deste tipo só porque as pessoas não partilham das suas opiniões...enfim...

Quase patética foi a tentativa, (mais uma) de dizer que a musica do fado premiado, é uma musica original, porque sendo o fado menor de autor desconhecido, quem o canta dá-lhe uma interpretação pessoal, o que faz com que o estilo pessoal que cada  um lhe imprime, o torne como musica original... Esta não lembra ao diabo...

Portanto quando ele canta o fado menor à sua maneira, já é uma musica original...

A "trapalhada" é grande e em vez de esclarecer, complica ainda mais.

Teria sido interessante a discussão sobre a originalidade da musica do Fado da Saudade, se Ricardo Ribeiro tivesse levado o seu raciocinio até ao fim... mas ficou a meio com a histório da candidata a cantadeira que se apresentou ao violista Zé Inácio, assim como quando falou  de estilo...

Por fim, só por uma questão de curiosidade, porque não houve lugar para Ana Sofia Varela na mesa da tertulia ?

Enfim

Saudações fadistas

Zé da Viela



publicado por Zé da Viela às 22:29
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008
INAUGURAÇÃO DO MUSEU DO FADO

 

A inauguração do renovado Museu do Fado, a que tive oportunidade de assistir, deu lugar, na minha opinião, a uma grande festa de confraternização, sobretudo, entre fadistas. Finalmente, vi, numa festa de Fado, muitos fadistas. Ainda bem, porque a festa era sobretudo deles e para eles.

 

A inauguração presidida pelo Dr.António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, deixa de parabéns toda a comunidade fadista, assim como, a sua Directora, Drª Sara Pereira.

 

O Museu foi renovado, tendo sido "sacrificada" a "casa de fados", que, para pouco servia, oferecendo agora motivos suficientes, para que os curiosos e os amantes do Fado, o visitem com mais assiduidade, porque, expõe na realidade, motivos de grande interesse.

 

Após a cerimónia inaugural, teve lugar ao ar livre uma pequena sessão de fados, com a actuação de Ricardo Ribeiro e Carminho,  à qual assisti com satisfação, apesar de não ter apreciado tanto a minha amiga Carminho, como faço habitualmente, uma vez que, já assisti a actuações dela, muito mais conseguidas do que a de ontem. Os artistas, também têm os seus dias...e, talvez os grandes nomes que se sentavam na primeira fila, tenham influenciado o sistema nervoso da jovem Carminho, ela, que tenho a certeza,virá a ser também um grande nome, e, uma referência do Fado.

Ricardo Ribeiro, é já um nome consagrado, e, não sabe estar mal, ou menos bem, porque está sempre bem.

 

No fado, como em tudo na vida, há sempre discordâncias, que, no entanto, se não tiverem apenas o intuito de destruir, até podem ser úteis e saudáveis, porque podem dar a oportunidade, de rectificar erros, ou omissões cometidas. Comentava-se ontem, em pequenos grupos, o facto de alguns fadistas não figurarem nas fotos do novo Museu, como a Ada de Castro e o Alfredo Duarte Júnior, comentários, que, quanto a mim, se justificavam, porque são nomes que estão na história do Fado, e, penso, que será relevante lembrar, que Alfredo Duarte Júnior, tinha actuado na inauguração do Museu do Fado, creio, que, há dez anos, ou seja, em 1998. E, esqueceram-se dele !  Mas, quero acreditar, que não terá havido má vontade, antes, a omissão se possa dever à azafama da inauguração, e, aos lapsos que todos cometemos. Estou certo que o Museu do Fado não deixará de assumir o seu lapso, e, rapidamente associará a Ada e o Alfredo Duarte Júnior, à homenagem que prestou aos fadistas. Creio que neste caso, não terá havido, má vontade, nem "perseguição", antes esquecimentos involuntários, que serão fáceis de solucionar, porque penso que associando, mais quatro ou cinco nomes, as criticas não terão razão de existir, isto, porque neste caso, não poderá haver a desculpa habitual, que consiste em dizer que não podemos "meter" todos...

 

Homenageia-se o Alfredo Duarte e a Ada, mais a Florinda Maria e o Carlos Zel, e mais dois ou três nomes, e as criticas não terão razão de existir.

 

Parabéns ao Museu do Fado, e à sua Directora, Drª Sara Pereira.

 

Zé da Viela

 

 

 



publicado por Zé da Viela às 18:03
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