Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

RECADO - PRÉMIO GOYA

Como da discussão nasce a luz, volto ao assunto.

 

Ha uma noticia da Lusa, de 10 de Fevereiro, sobre a qual, pretendo tecer alguns comentários, pelo que com a devida vénia, passo a transcrever:  " Carlos do Carmo assinala que a musica para a qual Fernando Pinto do Amaral escreveu um fado em versiculo,"surgiu a pedido de Carlos Saura,( realizador do filme ),que pretendia dar um olhar sobre o fado" "

Transcrevo, ainda, da mesma noticia da Lusa, da mesma data, declarações de Carlos do Carmo :  Nunca reclamei a autoria, é um fado menor em versiculo, que é uma forma musical de que o povo se apropriou, e a que cada um dá o seu estilo "

 

Ora bem, por estas declarações, apetece perguntar, se Carlos Saura precisava de uma musica original para dar um olhar sobre o fado ?   Bom, mas se Carlos Saura solicitou uma musica original, também foi  "enganado", porque afinal, deram-lhe o fado menor em versiculo, que é uma forma musical de que o povo se apropriou, o que me leva a pensar, que os conhecimentos de fado de Carlos Saura, serão insignificantes, porque, se assim não fosse, o próprio Saura deveria chamar a atenção para o facto da forma musical do menor em versiculo, não ser musica original.

 

Mas, se os conhecimentos de fado de Carlos Saura, não são tão insignificantes, como eu penso, e aceitou a musica do fado menor em versiculo, é porque o seu pedido não exigia, que a musica fosse original. Isto é lógico.

 

Perante isto, nasce a dúvida: será que quando o filme foi idealizado, já se pensava concorrer ao Prémio Goya, na categoria de Melhor Canção Original ? Tenho muitas duvidas, mas sem grande esforço, posso pensar, que levando em conta o poema de Fernando Pinto do Amaral, tal ideia, tenha sido equacionada. Mas se assim foi, porque Carlos Saura, que deve conhecer bem os regulamentos da Academia, aceitou uma letra original, portanto em condições de concorrer, aceitando também uma musica de que o povo português se tinha apropriado,já há muitos anos, portanto sem condições para concorrer ?  Esta a primeira hipotese.

 

A segunda hipotese, pode residir no facto de Carlos Saura, ter gostado da letra e da musica ( e aqui, parece-me que foi em relação ao Fado, a unica aposta ganha por Saura ), de que, aliás,  me parece que muita gente, e sobretudo gente com ligação ao fado, também apreciou, porque, também eu, com os meus humildes conhecimentos de fado, considero tratar-se, de um fado , bem cantado e bem tocado, mas , sem qualquer pretensão de concorrer ao prémio de Melhor Canção Original.

 

Perante estas duas hipoteses, haverá que considerar, que, se a ideia à partida, era concorrer ao prémio, era, uma ideia, já ferida de "honestidade", porque a musica não era original, e, só enganando os nossos amigos espanhóis, poderia ser aceite a concurso. A segunda hipotese, parece-me mais aceitável, porque os "ideólogos" se terão apaixonado (  e muito bem ), pela letra, pela musica e até pela interpretação, mas sem qualquer ideia de concorrer ao ´prémio.

 

Deste modo, também se poderá pensar, que , mais tarde, Carlos Saura, "empurrado", por Carlos do Carmo e Ivan Dias, ( que tinham, todo o interesse, mais do que Saura, em ganhar um prémio ), tenha aceite que o filme concorresse aos prémios da Academia, ( até para mostrar aos portugueses, que o seu filme era tão bom, que até concorria...), embora sabendo, como homem de cinema que é, que das poucas hipoteses que teria de vencer, seria na Canção Original, talvez, aceitando como conselho ( de quem?...), que os poucos conhecimentos de fado dos membros da Academia, não dariam conta da irregularidade, da falta de originalidade da musica.

 

E desta forma o " crime " estava montado. Carlos Saura, seria premiado, e teria o argumento de dizer aos financiadores do filme, que tinha sido uma aposta ganha, o autor da letra, também, o autor da musica seria esquecido, poupando-se assim, os direitos devidos aos herdeiros de Marceneiro, e Carlos do Carmo, seria mais uma vez "badalado",  felicitado por tudo e por todos e com muitos contratos à sua espera.

 

Mas como não há "crimes" perfeitos, os autores foram descobertos, porque deixam quase sempre uma pista... e, neste caso, a pista foi Carlos do Carmo, que ao contrário do que tem afirmado, não desfruta de simpatias nos meios fadistas, pela sua vaidade, pela sua ambição desmedida, e pelo complexo de superioridade que julga ter em relação aos seus colegas fadistas.

 

Quero acreditar, que se Carlos do Carmo, não estivesse envolvido, talvez o " crime " não fosse descoberto, e podiamos agora, estar todos  a festejar a atribuição do GOYA AO FADO.

 

Não sei se concordam comigo.

 

Saudações fadistas

 

Zé da Viela

 

 


publicado por Zé da Viela às 12:59
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