Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

RECADO A CARLOS DO CARMO

 

 

Tinha que acontecer! Carlos do Carmo esticou tanto a corda, que acabou por partir...

 

Penso que os anti-corpos que criou ao longo de muitos anos,sobretudo, na classe fadista ( portanto colegas), que nunca lhe perdoaram o seu comportamento, deu aso, a que esteja a ser muito contestado, sobretudo, depois do filme Fados, contestação que aumentou  com a atribuição do prémio Goya. Penso mesmo, que Carlos do Carmo, a partir de agora, jamais será o mesmo, e talvez se arrependa, de não se ter ido embora, há oito anos atrás, como afirmou numa entrevista ao Diario de Noticias, de 10  do corrente. Se o tivesse feito, não passaria pelo vexame porque está a passar actualmente....

 

Carlos do Carmo, não tem simpatias no "meio" do Fado, porque pelo complexo de superioridade que sempre evidenciou para com os seus colegas fadistas, complexo disfarçado, com a habitual falsa modéstia, sempre quiz "comandar" e "liderar", o que só conseguiu, em dois ou tres casos, como Camané e Mariza, verdadeiros "seguidores do Mestre".

 

Carlos do Carmo, desde o filme Fados, que vem a ser fortemente contestado, contestação, que tomou maiores proporções, com o prémio Goya, sem que encontre, respostas concretas, para as criticas que lhe são feitas, antes apresentando desculpas "esfarrapadas", que os fadistas, e seguidores do Fado, não entendem, nem aceitam.

 

Carlos do Carmo teve até aqui, tudo do seu lado, sobretudo a Imprensa e Televisão, que sempre se preocuparam em lhe dar voz, não dando a mesma oportunidade, a outros grandes nomes do Fado, de contestarem, o que Carlos do Carmo afirmava.  Carlos do Carmo, tem que ter a humildade de reconhecer, que, também há no Fado,gente com capacidade para apresentar argumentos dignos, e convincentes, que contrariam as ideias que ele expõe, mas a quem nunca foi dada a oportunidade de as levarem ao grande publico.

 

Afirma o fadista, que o filme Fados, é a concretização de um sonho, e, que tinha que ser realizado,porque ele já tinha estado duas vezes a morrer, e não queria que tal acontecesse, sem que o filme fosse concretizado, razão porque foi um realizador espanhol a fazê-lo.  Quer dizer, não interessava quem fazia o filme, nem como o fazia, ele tinha que ser feito forçosamente, porque o Carlos do Carmo não queria morrer sem fazer o filme !!!  Adianta ainda o fadista, que nunca lhe passou pela cabeça, que fosse um realizador português a concretizá-lo.


Não será legitimo perguntar, a razão, porque não foram consultados os realizadores portugueses ? Foi só porque nunca passou pela cabeça de Carlos do Carmo?


Manuel de Oliveira, tem um estatuto muito especial? É comparável ao de Carlos Saura? Porque não perguntou a Manuel de Oliveira se gostava de fado? Tem relações pessoais com ele  e também, nunca lhe passou pela cabeça saber qual a opinião do realizador português sobre o fado?

 
Parece que temos já algumas desculpas "esfarrapadas".

 

Afirma, também, que deu a Saura, uma lista enorme de pessoas, que cantam e tocam, e que cantaram e tocaram, tendo-lhe facultado, livros, discos e DVD,s, além de ter mantido longos diálogos, com o realizador espanhol. Carlos do Carmo, não facultou a Saura, nenhum livro, disco ou DVD, da Herminía Silva ? Não existiam ? Estavam esgotados ?  Também, não lhe passou pela cabeça, o nome e a figura de Hermínia, nos seus diálogos com Saura ? Não ponho em causa, que Lucilia do Carmo, com um estilo e voz muito próprias, e com o enorme contributo que deu ao Fado, merecesse uma menção no filme, mas  ignorar Hermínia ?!!! 

 

Espero que mais uma vez, não apareça aquela desculpa, já não "esfarrapada", mas estupida e incompreensivel, de se dizer que não podiam entrar todos e todas. É verdade, que não cabem todos, mas creio que sou acompanhado nesta ideia, por muitos fadistas e amantes do Fado, de que Hermínia, teria que figurar no filme. Deixa-se, um estrangeiro, escolher e decidir, sobre os intervenientes e figuras de um filme, sobre um tema, que é tão nosso, e tão especifico, ao ponto de levar Carlos do Carmo a afirmar, que o filme é todo Saura, e que a escolha, e o pensamento do filme foi todo dele !!!  Que tipo de amante do Fado, será Carlos Saura, que Carlos do Carmo diz que sempre foi fã de Amália e Marceneiro, para desconhecer que o Fado menor com versiculo, é criação do Ti Alfredo ?  E para desconhecer que o Fado menor, não é original ?  O fadista também afirma, que ao sexto ou sétimo encontro com Ivan Dias, este lhe apresentou um DVD  com o filme Flamenco, de Saura, tendo-lhe perguntado, porque não se fazia um filme semelhante com o Fado ?

 

Então o fadista, sugere um filme sobre o Fado, à semelhança do que tinha sido feito em Flamenco, mas depois de visionar este filme, creio que não se descortina a participação de artistas alheios ao flamenco. Então, porquê Caetano Veloso e Chico Buarque, e mais alguns, que nada têm a ver com o Fado, como nada tiveram a ver com o flamenco ?  Foi só, porque Saura assim o quis ?  E o grande defensor do Fado e da cultura, deixou Saura fazer tudo o que ele quis ?  Porquê ?.  Para chegar à actual situação, em que o fadista já não sabe o que dizer, porque ele sabe que lhe foi atribuido um Goya indevidamente, porque teve a "arte" de conseguir enganar, as autoridades culturais espanholas, que ele diz que levam a cultura muito a sério, que não se trata de uma brincadeira...

 

E agora, Carlos do Carmo, que foi completamente desmascarado, o que lhe resta ?  Vai "devolver" o telefonema do nosso Ministro da Cultura ?  Vai "devolver", o que diz ter sido o pleno, que foram as felicitações dos quatro ultimos Presidentes da Republica ? Vai "devolver" o telegrama ao Zapatero ?  Vai responder à carta da Ministra da Cultura de Espanha, pedindo-lhe desculpa, por ter explorado a ignorancia dos espanhóis, sobre o Fado, para receber um prémio, que neste caso foi "roubado", aos outros tres concorrentes ?  Já pensou na situação que criou à Academia, se os outros tres concorrentes conseguirem provar ( o que não é dificil ), que nem o Fado Menor, nem o Fado Menor com versiculo, são musicas originais,  e que não foram feitas exclusivamente para o filme, e, que portanto o prémio foi mal atribuido ?  É com todas as mentiras que pratica, que quer levar os capitalistas portugueses a investirem dez milhões de euros na música ?   E, como se confessa daltónico, é evidente que não vai poder ver a cor  do dinheiro, que vai ganhar com os vinte concertos, que já tem agendados... que até podiam ser duzentos...à custa da sua ambição desmedida, que o levou a envergonhar-nos a todos, e mais grave ainda, a comprometer altas autoridades espanholas e portuguesas.

 

Chega, Carlos do Carmo, já não vale a pena "assobiar" para o lado, e "deitar mão" a pessoas influentes, na esperança que o ajudem a ser declarado inocente, (sabemos como esses lobbies funcionam ), porque os factos são tão evidentes, que nem os "amigos" lhe podem valer.   Ainda vai a tempo, de mudar o seu comportamento, e a sua forma de estar na vida, para fazer jus, ao que os seus pais gastaram nos colégios milionários da Suiça, porque se assim não for, foi dinheiro deitado à rua, como se costuma dizer.

 

Longa vida, Carlos do Carmo, e apesar de tudo, que este Goya, o tenha finalmente ensinado a ser menos ambicioso e mais humilde. E se assim for, muitas felicidades.

 

 Zé da Viela

 

 

 

 


publicado por Zé da Viela às 22:23
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4 comentários:
De Vítor Marceneiro a 20 de Fevereiro de 2008 às 19:21
Meu Caro Zé da Viela
Foi com emoção que li a sua excelente e pormenorizada análise sobre este assunto, que como sabe me toca fundo.
Acabei de me associar como amigo deste seu blog , e cujo endereço irei publicitar.
Gostaria de lhe pedir autorização para editar este seu brilhante texto em página exclusiva no meu blog, dando-lhe os devidos créditos como é óbvio, se não for inconveniente, se lhe fosse possivel envie-me o texto em em word, sem fundo negro se possivel.
Permita-me também caso o não queira fazer pessoalmente colocá-lo no Portal do Fado.
Aguardo sua respota.
Um abraço fadista
Bem haja por este excelente contributo para esta polémiva.
Vítor Marceneiro

congelado

De Cervantes a 20 de Fevereiro de 2008 às 19:33
Amigo Zé da Viela

Os meus parabéns pelo seu texto que mereceu a minha melhor atenção e que faz uma boa análise da entrevista feita a Carlos do Carmo no dia 10 do corrente.
Creio que não serão demais todos os comentários que se possam fazer sobre este assunto, no intuito de repor a verdade e a razão.
Espero voltar a poder ler mais comentários seus.
Um abraço

congelado

De maria a 6 de Março de 2008 às 14:54
Não apreciei o filme e tive pena que não fosse um português a realizá-lo. Mas, a verdade é que não foi... Por isso só tenho que me orgulhar pelos prémios (poucos) que nós conseguimos em outras terras e com outras gentes.
O que me parece é que a inveja é verde!


De Zé da Viela a 8 de Março de 2008 às 20:10
Caríssima Maria

Agradeço o seu comentário embora me pareça um pouco ambíguo , porque me diz que não apreciou o filme e que teve pena que não fosse um português a realizá-lo. Há muita gente com essa mesma ideia. Mas o problema já não está no filme nem no realizador, o problema reside no facto de os regulamentos exigirem que tanto a musica como a letra fossem originais e feitas de propósito para o filme, o que na verdade não aconteceu, porque a letra é original e feita de propósito para o filme mas a musica é que está em discussão e mesmo assim só no que se refere ao autor, isto é, se o autor é ou não Alfredo Marceneiro, porque o próprio Carlos do Carmo já afirmou que o Fado Menor Com Versículo ( que é o fado que Carlos do Carmo, canta e muito bem no filme) tanto pode ser de autoria de Marceneiro como de Joaquim Campos. Ora quando ele faz esta afirmação está a reconhecer que não é original. Portanto não se trata de invejas trata-se sim de dar o seu a seu dono, o que quer dizer que Carlos do Carmo não ganhou nada, para se andar a pavonear com o Goya . Já ouviu algum comentário de quem realmente ganhou, que foi o autor da letra ? Porque será que ele não se pronuncia ?
Agradeço-lhe o seu comentário. Volte a este blog sempre que entender.
Zé da Viela


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